Será que ver-se ao espelho ajuda os bebés a imitar os outros?
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Será que ver-se ao espelho ajuda os bebés a imitar os outros?

17/06/2026 Bial Foundation

Estudo avaliou se a exposição ao próprio reflexo influencia o desenvolvimento da mímica facial, um processo associado à empatia e ao reconhecimento das emoções, em bebés de 4 meses. Os resultados mostraram que os bebés expostos ao próprio reflexo apresentaram maior aumento na atividade do córtex sensoriomotor ao observar expressões faciais de outros, mas isso não se traduziu num aumento do comportamento de imitação facial.

A mímica, tendência espontânea para imitarmos as ações dos outros, desempenha um papel importante na facilitação dos laços sociais, aumentando a empatia entre estranhos e promovendo comportamentos de ajuda. A mímica facial pode começar logo nos primeiros anos de vida e é particularmente relevante porque pode ajudar-nos a reconhecer as emoções dos outros.

Alguns autores defendem que a ligação entre “ver” e “fazer” é inata e que a capacidade dos bebés imitarem as ações dos outros existe desde o nascimento. No entanto, outros estudos sugerem que esta ligação poderá ser moldada pela experiência sensoriomotora ao longo do desenvolvimento.
Partindo desta última hipótese, um estudo recente avaliou se a exposição ao próprio reflexo pode influenciar o desenvolvimento da mímica facial nos bebés. Com o apoio da Fundação Bial, a investigação foi liderada por Carina de Klerk, da Universidade de Essex (Reino Unido), e contou com a participação de bebés com cerca de quatro meses.

Durante duas semanas, um grupo de bebés teve contacto diário com um pequeno espelho incorporado num brinquedo, enquanto o outro grupo utilizou o mesmo brinquedo, mas sem acesso ao espelho. Antes e depois deste período, os bebés observaram vídeos de outros bebés a exibir expressões faciais, enquanto os investigadores registavam simultaneamente a atividade cerebral, através de eletroencefalografia (EEG), e a atividade muscular facial, através de eletromiografia (EMG), permitindo avaliar as respostas neurais e comportamentais.

Os resultados são apresentados no artigo Two Weeks of Mirror Exposure Enhances Sensorimotor Cortex Activation but not Facial Mimicry in 4-Month-old Infants, publicado na revista Developmental Science. Ao observar as ações faciais de outros bebés, os participantes do grupo com espelho demonstraram maior ativação nas regiões sensoriomotoras envolvidas na ligação entre perceção e ação, no pós-teste. Este efeito foi particularmente evidente no hemisfério direito, numa área associada à representação facial, sugerindo que a observação dos próprios movimentos pode reforçar os circuitos neurais envolvidos na perceção das ações dos outros.

No entanto, não foi observado qualquer aumento da mímica facial, tal como medido por EMG. Embora o processamento neural das ações faciais dos outros tenha sido reforçado pela experiência sensoriomotora, poderão ser necessários períodos de exposição mais prolongados para que isso se traduza num aumento da mímica facial.

Este estudo sugere que experiências simples do quotidiano, como ver o próprio reflexo, podem moldar o cérebro social desde muito cedo. Como refere Carina de Klerk, estes resultados “sugerem que os mecanismos neurais subjacentes à perceção social podem ser moldados pela experiência sensoriomotora numa fase precoce da infância e poderão emergir antes de essas mudanças se refletirem no comportamento”.

Saiba mais sobre o projeto “134/20 - Copy me, copy you: Investigating the development of facial mimicry” aqui.
“Two Weeks of Mirror Exposure Enhances Sensorimotor Cortex Activation but not Facial Mimicry in 4-Month-old Infants", Richmond, C., L. Parrett, E. Tye, and C. C. J. M. de Klerk, Developmental Science 29, no. 4, 2026, e70221, https://doi.org/10.1111/desc.70221.
17/06/2026 Bial Foundation
Regions: Europe, Portugal, United Kingdom
Keywords: Health, Medical, Science, Life Sciences, Society, Psychology

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